Accountability!

No último fim de semana muitos admiradores e torcedores do futebol puderam assistir a um ato não tão comum de um jogador durante uma partida de futebol.

Estou me referindo ao jogador do São Paulo Rodrigo Caio, que ao perceber que o juiz do jogo iria penalizar um jogador do time adversário (o Jô do Corinthians) por ter realizado uma possível “pisada” no goleiro de seu time (o São Paulo), e o faria por meio de uma advertência com cartão amarelo, prontamente assumiu que foi ele próprio que havia dado o “pisão” no goleiro, fazendo com que o juiz voltasse atrás de sua decisão, poupando o jogador do Corinthians da penalidade que inclusive lhe tiraria do próximo jogo com o próprio São Paulo.

Imediatamente reações contrárias e a favor tomaram os noticiários, e para minha alegria e felicidade, a maior parte foi a favor da atitude do jogador do São Paulo.

Como disse Cláudia Leite no programa Bem Amigos da SportTV desta última segunda feira, a verdade tem sempre 2 lados e sabemos que eles podem ser divergentes e é por isso que há um juiz em campo para resolver eventuais impasses. Mas, e quando esses dois lados são iguais e conhecidos!? Deixar o juiz cometer um erro e se esquecer inclusive do tal de “Fair Play” é algo ainda comum não só nos jogos de futebol, mas em nossa sociedade como um todo, e que principalmente no mundo dos negócios possui uma certa associação com o termo ainda pouco conhecido, mas muito importante, chamado “Accountability” e que precisa cada vez mais ser trabalhado.

Este termo (Accountability) que não possui uma tradução específica para o português, pode ser entendido como uma virtude e uma habilidade de pegar a responsabilidade para si (o tal do fui eu quem fez, o tal do fui eu quem errou e etc).

Repare que Rodrigo Caio agiu de acordo com este conceito e ao invés de preferir colocar a culpa pelo erro no juiz, pouco se importou em relação ao que o clube e/ou os próprios jogadores e torcedores de seu time iriam achar, assumindo a culpa pelo ato que involuntariamente cometeu e responsabilizando-se.

No momento que vivemos no Brasil e no mundo, assistir algo assim chega a ser motivo justificável para escrever um texto, registrar de alguma forma o fato, e dar um destaque a algo que “deveria” ser natural.

Mas o fato que precisamos entender é que isso NÃO é natural para o Ser Humano, é algo que precisa ser aprendido (e ensinado) por todos nós. Entender que precisamos sim fortalecer este tipo de comportamento e ensinar, seja nos esportes, nas escolas, faculdades, universidades, em casa, no trabalho é o que nos fará construir uma Nação e um mundo cada vez melhor, pois por mais que possamos achar que isso deveria ser o natural, não é (ainda)! E não é natural porque cada um de nós nasce com um forte instinto de sobrevivência, e temos associado a necessidade de nos protegermos para “sobreviver”, o que por vezes nos leva a encontrar culpados por nossos erros, nossas frustrações, e até nossos medos.

Ser Accountability não consiste apenas em adotar uma postura de responsabilidade que pode ser considerada correta. Consiste também em saber que somos sim os únicos responsáveis pelo que acontece conosco, e a medida que somos capazes de agir livres da necessidade de culpar outras pessoas pelo que fizeram ou deixaram de fazer, teremos a verdadeira chance de aprender e evoluir como Seres Humanos!

O São Paulo e o Rodrigo Caio perderam o jogo, mas será que só existe este aparente lado negativo da história!?

Luis Fernando Freitas