5 de junho de 2018

Conexão entre as mãos e a mente

uma verdadeira conexão?

Frequentemente fazemos distinção entre os operários, que fazem trabalhos manuais, e os executivos, que trabalham com o conhecimento.

Tendemos a acreditar que não há conexões entre o “fazer com as mãos” e o “fazer com a mente”.

Porém essa diferenciação diz mais sobre a nossa estrutura de classe do que sobre os fatos reais da nossa inteligência.

O trabalho de alguns antropólogos e paleontólogos demostram claramente o desenvolvimento das relações entre as mãos e o cérebro.

O ancestral do ser humano (“o esqueleto de Lucy”), é a primeira espécie que demonstra um claro bipedalismo.

Andava com apenas duas patas, o que significa que a outra extremidade (mãos) poderia ser usada para outras coisas.

A mão de Lucy também apresentou sinais claros do moderno polegar opositor.

o desenvolvimento crucial que tornou possível a “precisão de agarrar” da mão humana, entre outras várias evidências

A forte ligação entre as mãos e o cérebro no desenvolvimento humano se observa também claramente na fisiologia humana moderna.

O neurocirurgião canadense Wilder Penfield desenvolveu um “mapa” do cérebro que mostra suas proporções dedicadas a controlar diferentes partes do corpo.

O que impressiona de imediato é o enorme tamanho da parte dedicada à mão, o que demonstra a profunda interconexão entre a mão e o cérebro.

Mas o que isso tem a ver com os processos mentais superiores de abstração e raciocínio?

Jean Piaget, o pai do nosso conceito de inteligência moderna, introduziu uma ideia interessante:

a inteligência cresce a partir a interação da mente com o mundo

Dessa forma, as ideias abstratas e complexas com o tempo, a casualidade, o espaço etc. são todas operações ativas que crescem a partir da resposta de processos entre a mente viva e o mundo que a rodeia.

Hans Furth, defende que a ideia-chave do trabalho de um grande psicólogo é:

conhecimento é uma operação que constrói seus objetos

Como sabemos a partir do trabalho de paleontologistas humanos, as conexões entre a mão e a mente são a chave para o desenvolvimento do ser humano.

Este fato sugere algo profundamente humano, mas também um método primordial que o cérebro utiliza para construir seu próprio conhecimento sobre o mundo.

Enquanto que o jogo manipulativo é comum a todos os primatas, o jogo simbólico é exclusivamente humano e muitos teóricos de jogos o consideram um precursor essencial das capacidades conceituais dos adultos.

Piaget sustentava que:

o jogo simbólico se origina diretamente das primeiras manipulações da criança

E que, de fato, não existe jogo, apenas manipulações exploratórias, antes que a criança adquira a possibilidade de atuar simbolicamente.