5 de junho de 2018

Storytelling

Narração de histórias

A narração de histórias assim como o uso de metáforas, são componentes-chave do jogo sério e de todo jogo infantil.

Quando as crianças jogam, os objetivos comuns são transformados em mamães e papais, animais, carros, caminhões e todos os tipos de personagens que as crianças criam em suas brincadeiras.

Através de mitos, sagas ou contos de fadas, as pessoas têm usado as narrações de histórias como uma forma de expressar ideias e valores que consideram importantes.

Nas narrações de histórias lidamos com temas relacionados com a:

  • cultura
  • religião
  • identidade pessoal e social
  • pertencimento em grupos
  • o bem e o mal
  • etc.

Frequentemente usamos os personagens nas nossas histórias, para expressar nossas esperanças, lidar com nossos medos e resolver nossos conflitos.

A narração de histórias, ou mais precisamente a criação de histórias é uma atividade concreta e totalmente ativa.

Como participantes ativos, nós entramos e saímos do processo para elaborar, refinar ou avaliar os personagens, o cenário ou o lugar em que se desenvolve a história.

Desta forma, colocamos a nós mesmos em uma posição única, que nos permite entender as questões sociais, culturais e interpessoais, que moldam nossa história de uma maneira ativa e dinâmica.

Na Empresa

Nas organizações e mesmo na vida cotidiana, as histórias contribuem para a construção, reprodução ou transformação de valores e crenças.

Assim como também contribuem, para a produção, reprodução e desconstrução destes valores e crenças.

Os membros de uma organização dramatizam a vida dentro da organização através das histórias, transformando eventos rotineiros em artefatos simbólicos que contribuem para moldar a história da organização.

Neste sentido, os membros têm o poder de “desafiar” suas organizações, apresentando uma nova história (Boge, 1991).

Boge define a organização da narração de histórias da seguinte forma:

“Um sistema de narração de histórias coletivo, em que a representação de histórias é um elemento-chave para que os membros tenham o sentido de fazer e o meio que os permita complementar a memória individual com a institucional.”

No contexto empresarial, as narrativas cumprem uma série de propósitos:

  • a socialização dos novos membros
  • a legitimação dos vínculos e identificação com a organização
  • e o controle cultural

Além disso, servem como uma lente pela a qual é possível entender e interpretar a ação organização. (Putnam 1995).

As narrativas mais vívidas fazem grande uso de um conhecimento linguístico construído como metáfora.

Isto é, a forma de pensamento e a linguagem que nos permite entender ou experimentar uma coisa em termos de outra.

Donald Schon, sustenta a ideia de que as metáforas podem, de fato, gerar formas radicalmente novas de entender as coisas.

Ele observou a maneira pela qual pesquisadores de desenvolvimento de produtos (tentando fazer um pincel de pelo artificial) obtiveram um avanço quando um membro do grupo observou que “um pincel é um tipo de bomba”.

A metáfora é muito mais do que uma “linguagem florida”, ela pode exercer um papel ativo, construtivo e criativo.