Precisamos nos interessar pelas pessoas

Um dos grandes desafios hoje no Brasil é encontrarmos pessoas realmente comprometidas e profissionalmente capazes, mas este desafio também pode ser fruto da nossa postura como líderes e empreendedores, ou melhor, da nossa falta de postura.

Digo isso, pois a qualquer oportunidade de envolver as pessoas em quaisquer atividades, seja referente ao “job description” (tarefas descritas na função) daquela pessoa, não podemos deixar de mostrar a ela o caminho certo, mostrar o que esperamos dela e o quanto aquilo é importante para ela, para nós, para a empresa, para os outros e para a sociedade como um todo.

Um funcionário verdadeiramente envolvido e engajado com a empresa será capaz de fazer muita diferença não só no dia a dia, mas também nos desafios que irão surgir no futuro.

Claro que as pessoas buscam uma boa remuneração, um cargo, um status, mas o que é mais comum é o sentimento de ser útil. Por mais incrível que pareça, este sentimento é muito mais importante do que podemos imaginar e quando presente, traz vários “ingredientes” interessantes:

  • bom humor na execução das tarefas
  • preparo para lidar com situações não previstas
  • esforço adicional para garantir que tudo saia conforme previsto
  • satisfação pessoal e reconhecimento
  • manifestação positiva de pensamentos e ideias

Mas obviamente temos dificuldades de envolver todos os funcionários. Não é um trabalho que podemos caracterizar como algo simples afinal, cada Ser é diferente e possui crenças, valores, propósitos e necessidades diferentes.

E neste desafio de envolver as pessoas, encontramos receios, desconfianças, alguns podem nos interpretar de forma errada, outros podem nos ignorar, mas tudo o que realizarmos com vontade, ao longo do tempo se manifestará positivamente.

Antes de querer envolver as pessoas, precisamos nos interessar por elas.

Estando interessado pelas pessoas, ao encontrar alguém que não conseguimos envolver, devemos insistir. Se já insistimos, devemos insistir um pouco mais. Se mesmo assim achamos que não dá, devemos tentar mais um pouco. Agora, se já fizemos de tudo, não tem jeito: ou mudamos a pessoa de área, função, atividade ou, vamos ter que demiti-la.

A demissão também é uma forma justa de mostrar aos outros o quanto valorizamos o envolvimento e reconhecemos diariamente isso. Ao não fazermos, as pessoas podem até nos ver como “bonzinhos”, e podemos até gostar disso, mas, cada vez mais outras pessoas serão contaminadas não pelo nosso desejo de envolve-las positivamente, mas sim, por outras pessoas que não se permitem e não se permitiram entender a importância delas dentro de uma organização, das possibilidades que possuem e tudo o que estamos fazendo por elas para gerar comprometimento e engajamento.

Não esqueça, precisamos fazer tudo de forma sempre sincera, pois só assim poderá dar tudo certo a longo prazo.

Cabe uma importante observação: ao se buscar o comprometimento e o engajamento das pessoas no atual modelo de relação trabalhista, considerando inclusive a realidade do mercado de trabalho como um todo, podemos considerar que estamos buscando algo praticamente utópico. Explico melhor: isto porque com o fato de muitas vezes não termos e nem podermos oferecer (por exemplo) o que era chamado ou conhecido como “plano de carreira”, é muito mais difícil demonstrar para qualquer funcionário ou colaborador a relação de troca e de confiança. Buscamos o comprometimento da pessoa e por outro lado não oferecemos a ela nenhuma garantia de emprego, de evolução e crescimento na empresa, ou ainda qualquer outro atrativo. Por isso, ao encontrarmos pessoas verdadeiramente comprometidas e engajadas, precisamos saber valorizar, pois elas estão fazendo algo por nós ou por nossa empresa que talvez não sejamos capazes de retribuir no momento presente!

Luis Fernando Freitas
www.lfpdefreitas.com.br

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